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28.5.18

Meu primeiro contato com Sartre em O Muro


Eu já tinha esse livro desde o começo do ano, se não me engano, mas só comecei a ler depois da indicação de um amigo. Minha curiosidade maior era em saber o que Sartre pensava, já que ele mantinha um relacionamento com Simone de Beauvoir, sabe?

Esse livro se trata de cinco contos mas não é seguro que todos vão agradar a quem lê. Cada conto tem uma abordagem diferente dos personagens e dos temas porém sempre com um tipo de narrador que se confunde com os pensamentos dos personagens. Creio que seja a marca de Sartre. Pode confundir o leitor no começo mas indo com paciência dá tudo certo, vai por mim.

Os cinco contos são:

  • O Muro
  • O Quarto
  • Erostrato
  • Intimidade
  • A Infância de um Chefe
Uma das coisas que percebi, e que esse meu amigo que indicou também disse, é que ele tem uma ideia sobre a morte de que depois dela, acabou. Fim. E isso dá para perceber na forma que ele trata da vida dos personagens, como algo frágil, que a qualquer momento pode acabar e então toda aquela vida registrada, toda aquela problemática do conto vai junto, mesmo que o tema morte em si não tenha sido trazido a tona. Dando uma pesquisada, vi que Jean-Paul é considerado o representante do existencialismo. Tudo fica bem claro em seus escritos.


Sabemos que Sartre era envolvido com a política de sua época, aliás, ele vivenciou grandes guerras, inclusive a Guerra Fria, então não dava para correr muito disso, não é mesmo? Em alguns de seus contos ele trás isso de forma bem clara: no primeiro, o fascismo na voz e na pele de um personagem anarquista, e no último, mostrando os lados, direita e esquerda, como forma de ideologia e escolha (que estamos vivenciando tão bem hoje).

Particularmente, esses foram mesmo os que eu mais gostei, risos, porque ele trata de forma crítica essas questões. A Infância de um Chefe, por exemplo, traça o roteiro para se tornar um chefe em Paris, deixando bem claro suas críticas à relação de poder entre alguém que manda porque tem mais dinheiro e alguém que tem que "agradar" para manter um emprego e ter o que comer. Achei muito legal as análises, porque ele de forma alguma ofende abertamente, ele apenas expõe o linguajar e a sensação de superioridade que essas pessoas têm. Aquela crítica de leve no capitalismo e na relação de poder por meio do trabalho.



Tem também a sensação de ameaça que os mais abastados sentem ao ver que tem pessoas ascendendo socialmente, aquele medo de perder os privilégios que quem está em cima sempre sente, né?

Esse não é um livro para todo mundo em qualquer momento da vida. Tenho certeza que tem pessoas que iriam odiar, pois não estão ambientalizadas ao que ele quer falar, ou que simplesmente abominam o que ele fala, mesmo assim recomendo bastante para todos porque pode despertar uma mentalidade crítica e que procura por informações. Como eu estava com um ritmo de leitura péssimo, demorei mais de mês para terminar O Muro, porque eu queria sugar tudo que tem nele mas se você está num ritmo melhor, lendo vários livros, se joga agora.

Essa edição que comprei é muito gostosinha de ler: boa diagramação, letras em um ótimo tamanho, o papel amareladinho e grossinho, espaçamento muito bom... Tudo isso colabora para que, se você estiver num ritmo bom de leitura e gostar do tema, você termine as 172 páginas mais rápido do que eu.

Se tiver curiosidade de ler e puder comprar, pode comprar por aqui. Assim você ajuda esse cantinho com uma pequena porcentagem na hora da compra sem gastar mais nada para isso.

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