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13.11.17

Ontem à noite eu não me reconheci

Minha incapacidade de foco que aparentemente passou a fazer parte do cotidiano se intensificou e me perdi no espaço e tempo. O sono não chegava, a cama não era mais um lugar para descansar, o ventilador emitia os mesmos sons e as mesmas paredes pareciam pesadas, fui pro sofá. Ele não entendeu, estava cansado e dormiu na cama, nem mesmo ele entendeu, eu também não entendia e continuo sem entender o que aconteceu. 

Havia perdido o controle de minha mente e corpo? Só sabia sentir e cada vez sentia mais forte aquela solidão e tristeza intransferível em uma casa de 60m³, que nunca foi tão grande, com uma pessoa dormindo no quarto e três gatos, dois ao meu lado, acho que eles também perceberam que eu sentia.

A internet não pegava, eu não queria outro ventilador, as muriçocas apareceram mas tudo bem. Eu só queria entender. Nem a meditação ajudou. Eu só queria entender.

Lágrimas rolaram e eu nem sei porque, não sei o que fez elas saírem, não sei porquê. Cada vez mais a sensação de ser algo descartável, nojento, não desejável, baixo, podre, aumentavam, eu só queria que parasse. Chorei mais uma vez. Como fazer parar? 

Quase quatro da manhã, olhei para fora e o pedacinho do céu que pude ver parecia lilás. Bonito. Fui ver de perto e estava amanhecendo, o céu não estava lilás, estava azul claro misturando com o vermelho da chuva que caiu naquela noite. Não chegava a ser lilás mas era bonito mesmo assim. Estava amanhecendo. A cidade amanhecia mas eu continuava dentro de uma noite sem fim, profunda.

Voltei para o sofá. Deitei. Dois gatos ao meu redor, deitados ao meu lado. Um deles olhava fundo nos meus olhos. Ele sabia. Eu não sabia mas ele sabia e não saiu do meu lado, nem mesmo quando fui ao banheiro. Ele sabia mas permaneceu ali. Ele sabia e queria que eu soubesse que ele sabia. 
Lá fora já estava claro, não sei que horas eram. Quem estava dormindo na cama, acordou. Meio assustado veio até mim, ele não entendia e nem eu. Chamou-me para a cama, puxou-me, abraçou-me. Levantei e fui. Deitou-se ao meu lado, levou-me para si e envolveu-me com os braços. 

Parei de sentir. Não! Senti. Senti paz, não forte e avassaladora, ela parecia chegar devagar, de mansinho, aqueles braços pareciam externar toda angústia que pairava sobre mim, magicamente aliviando. Adormecendo. Me adormecendo.

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12 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ai mds que coisa linda! Senti toda a emoção amiga, arrasou no texto e nas fotos! <3

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    1. aaaa obrigada, também senti mto escrevendo, falar dos momentos ruins por mais que doa é necessário e depois dps dá um alívio <3

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Que fotografias são essa, garota? Estou apaixonada pela segunda <3 E cara, não estou sabendo lidar com essa sua postagem *o*

    xx,
    www.memorizeis.blogspot.com

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  5. Oi Bruna!
    Todos nós temos esses momentos ruins e angustia em algum momento da vida, é algo natural e pouca gente conta que já passou por isso. O que não podemos fazer é abraçá-los e deixá-los ditarem nossas vidas, por mais difícil que seja para afastá-los. Lembre-se sempre: uma hora vai passar, sempre passa!
    Beijos ;*

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    1. Ai, moça, sim, sempre passa, graças. Esses momentos são bem difíceis mas ainda bem que não são permanentes <3

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  6. Eu sentia muito isso um ano atrás :c, foi diminuindo, ainda não cessou, mas a frequência é menor. Se for um texto de desabafo, espero mesmo que você melhore e tire essa angústia do peito.
    A segunda foto é arrasadora <3

    Com amor, ♥ Bruna Morgan ♥ ~

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    1. Foi meio que uma crise do nada, nunca tinha sentido assim. Obrigada pela preocupação >< e fico feliz que tenha gostado da foto, sua linda <3

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  7. Eu senti já pelas fotografias. Depois o texto me lembrou muito uma noite minha de desespero, e os filmes do Michelangelo Antonioni que ando assistindo. O existencialismo, a incomunicabilidade burgueses do século 20. Às vezes me sinto assim. E teu final me lembrou uns momentos meus bons também. Ou seja: me conectei com esse texto, como se fosse meu. Que você sempre tenha esses amparos, sobretudo dos gatos, e a possibilidade de escrever.

    Beijão

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    1. Fico feliz que de alguma forma tenha se comunicado com o texto, feito por mim mas é para todo mundo MESMO. Obrigada pelo carinho <3

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Oi, obrigada por vir e volte mais vezes ♥

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