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4.10.17

Hope Jahren me ensinou a não desistir

Depois de mais ou menos um ano de ressaca literária, onde eu tinha conseguido ler apenas Sandman e travado em tantos outros livros, apareceu Lab Girl na minha vida, escrito pela maravilhosa Hope Jahren. Não sei de onde esse livro veio, não sei se ganhei algum sorteio no skoob ou em outro lugar que eu não lembro, só sei que apareceu na casa da minha mãe endereçado a esta que vos fala.

A Hope nasceu em Minessota e desde que se entende por gente é uma cientista, até mesmo quando não tinha diploma, mesmo quando ela tentou cursar literatura e não deu certo, ela já era cientista. O modo como ela sempre questionou o mundo sempre foi peculiar mas não incomum, achando estranho quando ela e os irmãos assistiam a filmes, desenhos e séries, como Doctor Who, mas as mulheres que apareciam não eram comentadas entre os espectadores, quando seus irmãos faziam as mais diversas brincadeiras divertidas e ela não podia fazer porque era uma menina, passando a ver "ser menina" como algo ruim.


Confesso que já nessa premissa eu me identifiquei muito. Tive essa fase conturbada em minha vida em que o "não poder fazer algo" se dava ao fato de eu ser uma garota, logo eu quis ser um garoto, queria parecer um garoto, talvez assim pudessem me deixar ser quem eu era/sou e fazer o que me deixava bem.

Entre um capítulo e outro, Hope vai contando a história das plantas junto com a sua própria, ela é geobióloga, da forma mais apaixonante que poderia ser. Todas as fases da vida: ruins, boas, péssimas, sexo, perda, recomeço. Enfim, eu entendo burulhas de plantas, o que sei estou aprendendo agora plantando aqui em casa, mas o livro fluiu tão lindamente que acabei extraindo vários aprendizados sobre o reino das plantas, dividindo várias vezes com meu namorado, chamando e lendo em voz alta nas partes mais interessantes ~muitas.

Além da história das plantas, Lab Girl conta a história de uma mulher comum que é apaixonada pelo que faz, sendo colocada à prova e sendo desmerecida várias vezes pelo motivo já conhecemos: ser mulher. O que não é uma novidade, devemos saber, mas mesmo assim não consigo olhar para isso de outra forma que não seja com indignação. Passando pela parte de consternação, essa mulher me inspirou e vai inspirar quem lê-lo, certeza.

Atualmente quero fazer o curso de ciências sociais e ler o que uma cientista ~mesmo não sendo da minha área~ tem a dizer sobre ser cientista, mesmo com os problemas, mesmo aos trancos e barrancos, me encheu de orgulhinho e energia, minha vontade de ser cientista social aumentou sei lá quantas vezes, me deu aquela certeza que eu nem sabia que precisava.


O livro é todo escrito em primeira pessoa de uma forma bem pessoal e as partes com ensinamentos sobre plantas são como histórias incríveis de pessoas que marcaram o mundo em algum momento, sendo que têm folhas e são fixadas ao solo. 

Mesmo que você não queira ser uma cientista de nenhuma área, ainda é um livro a ser lido. Mesmo que eu não quisesse fazer ciências sociais ainda estaria agradecida a Deus, ao universo e quem mais houver por colocar essa obra de arte na minha vida. Uma mulher inspiradora é uma mulher inspiradora e já que não nos contam sobre elas na escola, fico feliz que elas estejam contando elas próprias e estarei aqui sempre para prestigiar.
#ajudanóis

2 comentários:

  1. também quero fazer ciências sociais! e mulheres cientistas também me enchem de orgulhinho e esperança <3 fiquei com mt vontade de ler o livro

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    Respostas
    1. ah que feliz, uma mana de sociais haha
      acho que você vai amar <3

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